Em termos técnicos, significa que essas empresas, também conhecidas como AAA (tripou-êi) tem tanto dinheiro e recursos que gastam com bastante liberdade - e noção nos melhores exemplos - em salários, máquinas, serviços e marketing para tornar seus jogos os melhores o possível, experiências marcantes e, por que não, viciantes. Gráficos impressionantes, física/balística impecável, músicas orquestradas, interfaces elegantes, elenco de dubladores talentosos, vasto conteúdo, anúncios em outdoors... Enfim, verdadeiros jogos de entretenimento (por maior que seja sua picuinha com Modern Warfare 3, Need For Speed The Run, Resident Evil 5 ou FIFA 12, amigo leitor).
Daí sobram várias outras fatias para jogos de portáteis, smartphone, browser e redes sociais, fora advergames e jogos educacionais. É dos donos delas que eu quero falar (sim, dane-se os AAA por enquanto), mas ainda não cheguei ao meu ponto.
Analisando-os, podemos dizer que há equipes que variam entre grandes empresas como a Zynga ou Rovio ou os diversos estúdios que fazem jogos para clientes específicos; até pequenas e inúmeras/infinitas empresas independentes espalhadas por todos os cantos do globo, que fazem o suficiente (ou menos) em dinheiro do que precisam. Para o meu e o seu conforto, vou separar as coisas em três tamanhos:
Eu não sei como funciona a interação entre os três ou sequer se ela existe; o mundo é muito grande, existem desenvolvedores e consumidores demais para um mero entusiasta como eu analisar. Mas eu tenho algumas suspeitas de como funciona aqui no Brasil. Para entender, é só fazer uma alteraçãozinha na imagem:
Exato. Pode ir em quaisquer eventos como SBGames, BGS, palestra de não-sei-quem sobre não-sei-o-que: quem fala da indústria é a galera mais velha, que começou um empreendimento e agora faz jogos sob encomenda. Pode ler as matérias em revistas, mesma galerinha.
E os independentes, que fazem o que eu gosto de chamar "jogos de verdade"? "Uma molecada" que "faz joguinhos". Que, verdade ou não para alguns, não sabem como é a vida, como é gerir um negócio, trabalhar com demanda, com cliente, fazer cálculos e prospecções. Que mesmo que saibam como fazer um jogo divertido e cativante, sem CNPJ não significa muita coisa. Que, por simplesmente serem mais novos, não tem "moral" para falar.
Enfim, eu podia resumir quase tudo num tweet:
Ironia: em qualquer lugar, jogos de entretenimento são mais levados a sério que adver ou serious. Menos aqui, que é exatamente o contrário.Infelizmente, eu não vejo isso mudando em pouco nem muito tempo. Não temos mercado, experiência ou indústria para alavancar a produção de AAA, que dirá esperar que nossos valentes indies consigam criar essa cultura - que tá difícil, já que muita gente é bem preguiçosa, paranóica ou mal-educada (entenda melhor nesse outro post que escrevi).
O dinheiro de verdade está na indústria de publicidade, e é para lá que os desenvolvedores irão para buscar seu ganha-pão, na esperança de que sobre um tempinho e uma graninha para fazer o jogo que querem.
Na carona, acabamos formando uma enchente de profissionais pouco aptos para atuar em algo maior, até mesmo realizar o sonho de trabalhar fora num emprego melhor: uma demanda por 3D "suficientemente decente" não lapida um modelador; um jogo para leigos vicia um game designer; joguinhos só em Unity não prepara um programador.
Se mudar, excelente, ficarei feliz demais. Mas por enquanto, é apenas mais uma das (tristes) verdades que acabo de constatar e repassar. Que merda.
P.S: sitezinho batuta para fazer gráficos torta/pizza bem bacanudos!

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